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quarta-feira, 24 de outubro de 2012

Críticas ao Mestre...

Ao mestre, com carinho!


Você pode admirar, respeitar sinceramente alguém, mas nem por isso concordará 100% com essa pessoa... talvez você discorde muito, e até supere seu mestre, sua musa, seu ídolo... não vai ser fácil, será certamente polêmico, mas é possível! O Aristóteles amava seu mestre, mas discordou dele e fez sua própria história!
Isso me lembrou John Nash, que desafiou uma teoria que imperou por 250 anos... e venceu!
Compartilho este texto de Gelson Weschenfelder, professor de filosofia gaúcho, que resume bem as críticas de Aristóteles à Platão.

Platão e Aristóteles


Aristóteles e sua crítica a seu mestre Platão

Por Gelson Weschenfelder

        Discípulo da Academia de Platão durante 19 anos, Aristóteles rompe com a teoria dualista, após a morte de seu mestre, fundou sua escola, o Liceu, e assim elabora seu próprio sistema filosófico a partir de uma crítica ao pensamento de seu mestre, Platão, sobretudo à teoria das Idéias.
     “Mas talvez seja desejável examinarmos a noção de um bem universal e reparar as dificuldades que ela acarreta embora tal investigação seja penosa devido à amizade que temos pelos autores da teoria das idéias.” [1]
Aristóteles rejeita o dualismo platônico (onde há o ponto primordial de sua crítica), representado na teoria das idéias. Aristóteles levanta a questão no que diz respeito às dificuldades de se explicar a relação entre o mundo inteligível (Mundo das Idéias) e o mundo sensível (a Caverna).
    Em todas suas obras, Platão jamais explicou a fundo de que modo as Idéias podiam ser, ao mesmo tempo, imanentes e transcendentes. Preocupou-se em indagar a estrutura do mundo ideal como tal, do que com as suas específicas relações com o sensível e, em particular, com a estrutura deste[2]. Assim, Platão nunca mostrou interesses específicos pelos fenômenos físicos como tais, concebia a pesquisa dos fenômenos naturais e as ciências físicas como estruturalmente ligadas à narração mítica (por que ligadas ao devir), considerava essa pesquisas um jogo, embora elevadíssimo.
     Aristóteles na Academia, nutria com grande interesse no mundo físico, indiferente dos demais que, deixavam este de lado e nutria o mundo das Idéias. Aristóteles assim começa toda sua crítica a este sistema de conhecer platônico. Para ele se, as Idéias e os Princípios são supra – sensíveis e transcendentes, então eles não servem de modo algum ao objetivo em vista do qual foram introduzidos: justamente enquanto transcendentes, eles não podem ser nem causa da existência, nem causa do conhecimento das coisas sensíveis, por que a causa essendi et cognoscendi das coisas deve estar nas coisas e não fora delas[3].
    Todas as críticas de Aristóteles a Platão, reduzem - se, a um núcleo fundamental, em lugar do Princípio transcendente do Uno – Bem, será preciso introduzir o Bem entendido como causa final de toda a realidade, como a finalidade de todas as coisas[4]. Neste sentindo as Formas são introduzidas no mundo sensível, imanentizando – se. A doutrina dos sinolos de matéria e forma constitui a proposta que Aristóteles apresenta como alternativa para a proposta de seu mestre. O mundo do supra – sensível não é um mundo de Inteligíveis, mas sim de Inteligências, Aristóteles nunca pretendeu negar o mundo supra – sensível, mas negar a forma que Platão falava sobre esta.
        A visão de Aristóteles do processo de conhecimento é mais linear do que a de seu mestre, Platão. Não há rupturas como ocorre no indivíduo dentro da “caverna”, trata-se de um processo cumulativo, em que passo a passo progredimos. Neste processo, Aristóteles, ao contrário de Platão, inicia – se com os sentidos ou a sensação, onde seu mestre vê estes como pouco confiáveis.
       O próximo passo deste processo é a capacidade de retenção dos dados sensoriais, memória, pois não haveria conhecimentos se tivéssemos só os sentidos. Após estes passos, constitui – se a experiência, onde temos a capacidade de estabelecer relações entre os dados sensoriais retidos na memória. A próxima etapa é chegar à técnica, onde podemos determinar a causa, buscar o porquê das coisas, o conhecimento prático. E o último passo do processo de conhecimento é a ciência ou saber teórico, o conhecimento de conceitos e princípios, é um saber gratuito, uma finalidade em si mesma, que satisfaz uma curiosidade natural do homem.

Sensação → Memória → Experiência → Arte/Técnica → Teoria/Ciência
Aisthesis Mnemósine Empiria Téchne Episteme


[1] ARISTÓTELES. Ética a Nicômaco. 2ª edição. Tradução Edson Bini. Bauru, SP: Edipro, 2007. 1096 a 1-15.
[2] REALE, Giovanni. História da filosofia antiga. Volume III.São Paulo:Loyola, 1994.
[3] REALE, Giovanni. História da filosofia antiga. Volume III.São Paulo:Loyola, 1994.
[4] ARISTÓTELES. Ética a Nicômaco. 2ª edição. Tradução Edson Bini. Bauru, SP: Edipro,2007. 1094 a 3:

segunda-feira, 22 de outubro de 2012

Um pouco mais sobre o projeto filosófico de Platão. . .



Nasceu em Atenas, provavelmente em 427 a.C. e morreu em 347 a.C. Suas ideias baseiam-se na diferenciação do mundo entre as coisas sensíveis (mundo das idéias e a inteligência) e as coisas visíveis (seres vivos e a matéria).
Filho de uma família de aristocratas, começou seus trabalhos filosóficos após estabelecer contato com Sócrates de quem tornou-se seguidor e discípulo. Em 387 a.C, fundou a Academia, uma escola de filosofia com o propósito de recuperar e desenvolver as idéias e pensamentos socráticos. Convidado pelo rei Dionísio, passa um bom tempo em Siracusa, ensinando filosofia na corte.

Ao voltar para Atenas, passa a administrar e comandar a Academia, destinando mais energia no estudo e na pesquisa em diversas áreas do conhecimento: ciências, matemática, retórica (arte de falar em público), além da filosofia. Suas obras mais importantes e conhecidas são: Apologia de Sócrates, em que valoriza os pensamentos do mestre; O Banquete, fala sobre o amor de uma forma dialética; e A República, em que analisa a política, a ética, o funcionamento das cidades, a cidadania e questões sobre a imortalidade da alma.
O projeto de Platão é baseado no seu interesse pelo que é eterno e imutável tanto no que se refere à natureza, quanto à moral e à sociedade. Ele acreditava na dualidade humana, o homem possui um corpo e uma alma imortal . Achava que a alma já existia antes de habitar nosso corpo e que quando habitava-o, esquecia-se das ideias perfeitas.
Ele dividiu o corpo humano em três partes: cabeça (razão), peito (vontade) e baixo-ventre (desejo ou prazer) e que para se chegar a integridade era preciso agir com as três partes ao mesmo tempo. Ele considerava o homem e a mulher iguais.



Frases de Platão
"O belo é o esplendor da verdade".

"O que mais vale não é viver, mas viver bem".

"Vencer a si próprio é a maior de todas as vitórias".

"O amor é uma perigosa doença mental".

"Praticar injustiças é pior que sofrê-las".

"A harmonia se consegue através da virtude".

"Teme a velhice, pois ela nunca vem só".

"A educação deve possibitar ao corpo e à alma toda a perfeição e a beleza que podem ter".

sexta-feira, 19 de outubro de 2012

Platão e o Mundo das Ideias. . .


Vamos conhecer o mito da caverna?




          Imaginemos um muro bem alto separando o mundo externo e uma caverna, onde existe uma fresta por onde passa um feixe de luz exterior. No interior da caverna permanecem seres humanos, que nasceram e cresceram ali.
Ficam de costas para a entrada, acorrentados, sem poder locomover-se, forçados a olhar somente a parede do fundo da caverna, onde são projetadas sombras de outros homens que, além do muro, mantêm acesa uma fogueira. Pelas paredes da caverna também ecoam os sons que vem de fora, de modo que os prisioneiros, associando-os, com certa razão, às sombras, pensam ser eles as falas das mesmas. Desse modo, os prisioneiros julgam que essas sombras sejam a realidade.
        Imagine que um dos prisioneiros consiga se libertar e, aos poucos, vá se movendo e avance na direção do muro e o escale, enfrentando com dificuldade os obstáculos que encontre e saia da caverna, descobrindo não apenas que as sombras eram feitas por homens como eles, e mais além todo o mundo e a natureza.



Caso ele decida voltar à caverna para revelar aos seus antigos companheiros a situação extremamente enganosa em que se encontram, correrá, segundo Platão, sérios riscos - desde o simples ser ignorado até, caso consigam, ser agarrado e morto por eles, que o tomaram por louco e inventor de mentiras.



                Platão não buscava as verdadeiras essências na simplesmente Phýsis, como buscavam Demócrito e seus seguidores. Sob a influência de Sócrates, ele buscava a essência das coisas para além do mundo sensível. E o personagem da caverna, que acaso se liberte, como Sócrates correria o risco de ser morto por expressar seu pensamento e querer mostrar um mundo totalmente diferente. Transpondo para a nossa realidade, é como se você acreditasse, desde que nasceu, que o mundo é de determinado modo, e então vem alguém e diz que quase tudo aquilo é falso, é parcial, e tenta te mostrar novos conceitos, totalmente diferentes. Foi justamente por razões como essa que Sócrates foi morto pelos cidadãos de Atenas, inspirando Platão à escrita da Alegoria da Caverna pela qual Platão nos convida a imaginar que as coisas se passassem, na existência humana, comparavelmente à situação da caverna: ilusoriamente, com os homens acorrentados a falsas crenças, preconceitos, ideias enganosas e, por isso tudo, inertes em suas poucas possibilidades.CHAUÍ, Marilena. Convite à Filosofia. São Paulo, Ed. Ática, 2003;