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segunda-feira, 29 de outubro de 2012

A ética profissional como tradução do AMOR..

O texto é ótimo, mas não é meu! Vamos dar o crédito ao excelente autor  e aproveitar a reflexão... beijos filosóficos, F.



Por Emerson Barros de Aguiar



Alguém pode não saber ler ou nunca ter ouvido falar de ética, mas só será feliz se for ético. Ética não é uma condição que a gente tem de atender para agradar a empresa ou ao chefe; não é recitar códigos ou doutrinas.

Ética é o que fica da vida que levamos, das coisas que fazemos todo dia, agora; é o saldo que resta em nosso coração das ações que praticamos. Não se pode aprender ética apenas em livros ou em aulas e, menos ainda, em palestras. Ela está lá no Evangelho de Jesus: no Sermão da Montanha e em muitas outras passagens. Mas não é difícil encontrar a ética dentro de nós, saber o melhor caminho a seguir.

A felicidade de comercial não é sustentável. A satisfação dos cartões de crédito, do consumo, dos vícios ou da corrupção. A felicidade que tira dos outros, diminui muito mais de nós mesmos. Isto não é moralismo, não é pieguice, é realidade! "Ignorante" é o nome dado por Sócrates a quem ainda não sabe disso. Todo mundo vai descobrir que o mal não vale a pena, que o egoísmo não constrói nada, só estraga, destrói. De uma maneira ou de outra vai descobrir disso. A boa vontade será a melhor maneira e a decepção, a pior. . .

Não precisamos sofrer tanto para aprender que a vida é muito mais ajudar e compartilhar do que competir, ferir e derrotar. Quem tem o coração cheio de amor, tem ética, naturalmente. Ética é não estar preocupado com a reputação, mas com o caráter. O comportamento espontâneo, generoso e fraterno, é ética.

Quando a ética não é uma escolha, mas um dever imposto pela consciência, isto é ética. Quando estamos empenhados em dar o melhor de nós e não em sermos os primeiros, isto é ética.

Quando nos esforçamos para ter bondade e não para aparentar bondade, isto é ética. Quando o cuidado com os sentimentos dos outros lapida a dureza das palavras, isto é ética.

Quando olhamos para os outros e nos colocamos no lugar deles, quando vemos Deus nos outros, isto é ética. Quando perdoamos, deixando espaço livre na nossa memória para paisagens de ternura e humanidade, isto é ética.

Quando descobrimos uma qualidade nova em alguém que não gostamos, isto é ética. Quando identificamos em nós algum defeito e enxergamos como a vida é maravilhosa, isto também é ética.

Quando não nos vingamos de quem nos prejudicou, mesmo tento a oportunidade ideal, isto é ética. Quando olhamos os filhos dos outros como nossos próprios filhos e os empregos dos outros como o nosso "ganha pão", isto é ética. Quando sabemos que o dinheiro, o conforto, a posição ou o status de que desfrutamos são apenas privilégios e não direitos, pois podem nos ser tirados a qualquer momento pelo infortúnio, pelo imponderável ou pela morte: isto é ética!

Quando aquilo em que acreditamos não é expresso como uma declaração de princípios, mas sai da nossa boca como poesia, isto é ética! Quando somente conseguimos conspirar pela felicidade dos outros, isto é ética.

Quando sabemos que o amor pela pedra, pelo inseto, pela planta, pela brisa e por todas as coisas, que a ação em benefício de alguém que nem conhecemos e que a gratidão pela vida são tesouros permanentes, isto é ética. Quando sentimos que o amor invadiu cada sílaba que pronunciamos, cada lembrança, cada gesto, olhar e tarefa, enfeitando o templo do coração com as flores do bem, isto é felicidade...


O prof. Emerson Barros de Aguiar é Doutor em Filosofia pela Universidad de Zaragoza (Espanha), Escritor e Professor Universitário em João Pessoa (PB)

quarta-feira, 24 de outubro de 2012

Críticas ao Mestre...

Ao mestre, com carinho!


Você pode admirar, respeitar sinceramente alguém, mas nem por isso concordará 100% com essa pessoa... talvez você discorde muito, e até supere seu mestre, sua musa, seu ídolo... não vai ser fácil, será certamente polêmico, mas é possível! O Aristóteles amava seu mestre, mas discordou dele e fez sua própria história!
Isso me lembrou John Nash, que desafiou uma teoria que imperou por 250 anos... e venceu!
Compartilho este texto de Gelson Weschenfelder, professor de filosofia gaúcho, que resume bem as críticas de Aristóteles à Platão.

Platão e Aristóteles


Aristóteles e sua crítica a seu mestre Platão

Por Gelson Weschenfelder

        Discípulo da Academia de Platão durante 19 anos, Aristóteles rompe com a teoria dualista, após a morte de seu mestre, fundou sua escola, o Liceu, e assim elabora seu próprio sistema filosófico a partir de uma crítica ao pensamento de seu mestre, Platão, sobretudo à teoria das Idéias.
     “Mas talvez seja desejável examinarmos a noção de um bem universal e reparar as dificuldades que ela acarreta embora tal investigação seja penosa devido à amizade que temos pelos autores da teoria das idéias.” [1]
Aristóteles rejeita o dualismo platônico (onde há o ponto primordial de sua crítica), representado na teoria das idéias. Aristóteles levanta a questão no que diz respeito às dificuldades de se explicar a relação entre o mundo inteligível (Mundo das Idéias) e o mundo sensível (a Caverna).
    Em todas suas obras, Platão jamais explicou a fundo de que modo as Idéias podiam ser, ao mesmo tempo, imanentes e transcendentes. Preocupou-se em indagar a estrutura do mundo ideal como tal, do que com as suas específicas relações com o sensível e, em particular, com a estrutura deste[2]. Assim, Platão nunca mostrou interesses específicos pelos fenômenos físicos como tais, concebia a pesquisa dos fenômenos naturais e as ciências físicas como estruturalmente ligadas à narração mítica (por que ligadas ao devir), considerava essa pesquisas um jogo, embora elevadíssimo.
     Aristóteles na Academia, nutria com grande interesse no mundo físico, indiferente dos demais que, deixavam este de lado e nutria o mundo das Idéias. Aristóteles assim começa toda sua crítica a este sistema de conhecer platônico. Para ele se, as Idéias e os Princípios são supra – sensíveis e transcendentes, então eles não servem de modo algum ao objetivo em vista do qual foram introduzidos: justamente enquanto transcendentes, eles não podem ser nem causa da existência, nem causa do conhecimento das coisas sensíveis, por que a causa essendi et cognoscendi das coisas deve estar nas coisas e não fora delas[3].
    Todas as críticas de Aristóteles a Platão, reduzem - se, a um núcleo fundamental, em lugar do Princípio transcendente do Uno – Bem, será preciso introduzir o Bem entendido como causa final de toda a realidade, como a finalidade de todas as coisas[4]. Neste sentindo as Formas são introduzidas no mundo sensível, imanentizando – se. A doutrina dos sinolos de matéria e forma constitui a proposta que Aristóteles apresenta como alternativa para a proposta de seu mestre. O mundo do supra – sensível não é um mundo de Inteligíveis, mas sim de Inteligências, Aristóteles nunca pretendeu negar o mundo supra – sensível, mas negar a forma que Platão falava sobre esta.
        A visão de Aristóteles do processo de conhecimento é mais linear do que a de seu mestre, Platão. Não há rupturas como ocorre no indivíduo dentro da “caverna”, trata-se de um processo cumulativo, em que passo a passo progredimos. Neste processo, Aristóteles, ao contrário de Platão, inicia – se com os sentidos ou a sensação, onde seu mestre vê estes como pouco confiáveis.
       O próximo passo deste processo é a capacidade de retenção dos dados sensoriais, memória, pois não haveria conhecimentos se tivéssemos só os sentidos. Após estes passos, constitui – se a experiência, onde temos a capacidade de estabelecer relações entre os dados sensoriais retidos na memória. A próxima etapa é chegar à técnica, onde podemos determinar a causa, buscar o porquê das coisas, o conhecimento prático. E o último passo do processo de conhecimento é a ciência ou saber teórico, o conhecimento de conceitos e princípios, é um saber gratuito, uma finalidade em si mesma, que satisfaz uma curiosidade natural do homem.

Sensação → Memória → Experiência → Arte/Técnica → Teoria/Ciência
Aisthesis Mnemósine Empiria Téchne Episteme


[1] ARISTÓTELES. Ética a Nicômaco. 2ª edição. Tradução Edson Bini. Bauru, SP: Edipro, 2007. 1096 a 1-15.
[2] REALE, Giovanni. História da filosofia antiga. Volume III.São Paulo:Loyola, 1994.
[3] REALE, Giovanni. História da filosofia antiga. Volume III.São Paulo:Loyola, 1994.
[4] ARISTÓTELES. Ética a Nicômaco. 2ª edição. Tradução Edson Bini. Bauru, SP: Edipro,2007. 1094 a 3:

terça-feira, 23 de outubro de 2012

Aristóteles: o último grande filósofo grego!

Aristóteles nasceu em 384 a.C., na cidade antiga de Estágira, e morreu em 322 a.C. Seus pensamentos filosóficos e idéias sobre a humanidade tem influências significativas na educação e no pensamento ocidental contemporâneo. Aristóteles é considerado o criador do pensamento lógico.

Aristóteles foi viver em Atenas aos 17 anos, onde conheceu Platão (que na época já contava 61 anos), tornando seu discípulo.
Além de ser o último grande filósofo grego foi o primeiro grande biólogo da Europa. Ao contrário de Platão, que usou apenas a razão, Aristóteles também usou seus sentidos.
Apesar de ter sido por 20 anos aluno da Academia de Platão, Aristóteles fundou em Atenas, no ano de 335 a.C, a escola Liceu, voltada para o estudo das ciências naturais. Seus estudos filosóficos baseavam-se em experimentações para comprovar fenômenos da natureza.
Sua grande obra é o livro Organon, que reúne grande parte de seus pensamentos.



Frases de Aristóteles


"O verdadeiro discípulo é aquele que consegue superar o mestre."
(Digamos que essa seja a melhor retratação do momento que estou vivendo..! #tcc)

"A principal qualidade do estilo é a clareza."

"O homem que é prudente não diz tudo quanto pensa, mas pensa tudo quanto diz."

"O homem livre é senhor de sua vontade e somente escravo de sua própria consciência."

"Devemos tratar nossos amigos como queremos que eles nos tratem."

"O verdadeiro sábio procura a ausência de dor, e não o prazer."