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sábado, 20 de dezembro de 2014

Santana do Livramento na visão dos santanenses

Se você tiver oportunidade de olhar notícias, publicações comemorativas da época de ouro de Livramento perceberá que havia uma calma satisfação em ser santanense, em viver aqui. Depois que a praga do Padre Cordeiro fez efeito nossa Santana tornou-se a terra do “já teve”: tem indústria em Livramento? Já teve! – Tem cinema em Livramento? Já teve.
Mas as coisas melhoraram e novamente podemos dizer que “temos” coisas boas em Livramento: tem universidade em Livramento? Temos três! Fora as EAD. – Tem tido alguma obra do governo em Livramento? A instalação dos parques de energia eólica vem mudando a cidade. – E a população tem orgulho de Livramento? Já teve.
Opa! As declarações em redes sociais denotam um alto grau de ressentimento dos santanenses, muito mais do que os demais moradores da cidade que nasceram em outros pagos e se aquerenciaram aqui, com Livramento. Barbaridade!! Rivera é melhor em tudo, Bagé é melhor em tudo, em Quaraí as coisas funcionam, em Uruguaiana as coisas acontecem, mas em Livramento nada dá certo. Será? Se fossem pedir aos santanenses que comparassem a cidade a algum momento da Copa 2014 provavelmente comparariam a abertura ou ao 7x1 fatídico e Livramento seria o “1” no placar.
Deste modo, sou obrigada a discordar: Santana do Livramento está melhor sim!
Vou destacar dois fatos:

1)      Muita gente, com toda razão, se manifestou a favor da retirada do camelódromo e revitalização da Praça Flores da Cunha, também conhecida como “Praça dos cachorros”. Outras tantas pessoas, com tanto ou mais razão mostraram através de fotos e textos a gritante diferença entre a situação da supracitada praça no lado santanense e no lado riverense, após a retirada do camelódromo. Mas agora que é notável a melhora no lado santanense da praça, quem fala nisso? Quem diz com orgulho que nosso lado da praça está ficando lindo e talvez fique mais bonito até que lado o 

Praça Flores da Cunha - Dezembro/2014 - imagens de minha autoria


Pois eu vou dizer: as obras na Praça Flores da Cunha avançaram muito nos últimos dias, está lindo, houve um resgate do local, uma restauração que é muito mais apreciável do que a demolição da história para baratear a obra construindo algo novo e sem identidade. Segundo informações, as estátuas de cachorros que sobraram na praça foram mandadas para serem restauradas, e terão lugar de destaque quando a obra for entregue a população.

2)      Tenho observado conterrâneos meus fazendo comparações depreciando a decoração natalina da Praça General Osório em relação a decoração do prédio da Intendencia de Rivera. Só posso concluir que estes críticos não foram pessoalmente na praça apreciar a mais linda decoração de Natal que ela já teve. Durante muito tempo a única decoração de fim de ano eram luzinhas vermelhas no prédio da prefeitura, o que chegava a ser cômico ou trágico, afinal há todo um simbolismo que envolve casas com luz vermelha que ultrapassam questões de decoração natalina, mas vamos esquecer este passado inglório no quesito enfeites de Natal.

Como imagens explicam melhor que muitas palavras olhem algumas fotos que fiz da Praça General Osório e cheguem as suas próprias conclusões.




Um abraço cheio de orgulho de ser santanense!

Fernanda

segunda-feira, 24 de novembro de 2014

Livramento e as cadeiras nas calçadas

“São casas simples, com cadeiras nas calçadas e na fachada escrito em cima que é um lar” (Vinicius de Moraes)

Este ano Livramento e sua gente teve seu pala pisado, enxovalhado com ofensas e preconceitos que nos quiseram atribuir. Porque foram extremamente ofensivos e altamente preconceituosos ao incluírem todos os santanenses na lista dos radicais talibãs gaudérios, por conta daquele bochincho do casamento entre as moças no ex-ctg. Lembro de assistir a um debate entre candidatos ao governo do Estado onde Livramento só foi citada para ser taxada de cidade homofóbica. O colunista David Coimbra elucidou a questão com brilhantismo, o casamento gay nunca foi problema, o problema foi a escolha do local, tanto que em fevereiro deste ano já havia sido realizado casamentos coletivos em que participaram casais homoafetivos sem qualquer problema. No entanto, fomos rotulados de atrasados, tacanhos, talibãs, extremistas, caretas, agressivos, radicais, vilões, intolerantes e otras cositas más, que prefiro nem repetir.
Quem falou isso não conhece Livramento e os santanenses que repetiram essas injúrias que façam o favor de parar de se exibir dizendo que são da Fronteira, porque não são. Se fossem saberiam que aqui todos são bem recebidos, que aqui convivem em paz judeus e palestinos, gremistas e colorados, os que tomam mate e os que tomam chimarrão, os que ouvem pagode e os que ouvem nativismo, os que acordam as 6h da manhã e os que chegam em casa as 6h da manhã, os chatos e os “balaqueiros”, os que tem fé e os que não crêem, os gays e os héteros, os infiéis e os monogâmicos, gaúchos e “gauchos”. Ao contrário de muitos lugares modernos como a capital de São Paulo, não conheço caso de que alguém tenha sido espancado e morto porque é gay. Já vi babacas saírem de olho roxo, mas por sua babaquice, nunca por ser hétero ou não.


Quem conhece Livramento, conhece essa gente que coloca as cadeiras de abrir nas calçadas pra tomar mate, pelear com os mosquitos e olhar o “movimento”, que, salvo essas pessoas peguem as cadeiras, o mate e se dirijam até a Sarandy, o que não é incomum, esse tal movimento não é tão movimentado. Essa atitude revela bem mais do que um aumento na temperatura, revela que as pessoas sentem-se ainda seguras em estar de portas e janelas abertas sentado em frente de casa, mostra que as pessoas gostam de conversar e porque não de fofocar?! Isso é privilégio do interior! Se você fica irritado porque sua vizinha fica controlando os seus horários e não perde a oportunidade de comentar que em tal dia você chegou mais tarde do que o habitual, agradeça! Sim, porque se você morasse numa grande metrópole, creia, você poderia sumir, cair doente, ou qualquer coisa do gênero e ninguém notaria sua ausência. A(o) vizinha(o) fofoqueira(o) é nossa(o) guardiã(ão), talvez ela(e) nem saiba disso, talvez você preferisse dispensá-la(o) deste serviço, mas de fato, ela(e) desempenha este papel brilhantemente.
Mas nem todos se reúnem nas calçadas para matear e prosear, há uns que abraçam o termo¹, seguram a cuia bem junto ao corpo, como se a bomba fizesse um sinal de silêncio em frente aos lábios, se encostam na parede, ou num poste, e ficam com olhar perdido, sentido o tempo passar, ouvindo os ruídos do “movimento”, ensimesmados, talvez esperando alguém, talvez recordando o passado, ou simplesmente aproveitando tranquilamente a própria companhia.


Esta Santana do Livramento, que coloca a cadeira na calçada, ceva o mate e está sempre pronta para uma charla franca, “sem gre-gre pra dizer Gregório”, esta é a minha terra, senhores, nela até os que ferozmente nos acusaram de diversos radicalismos são bem-vindos. Um poeta, se referindo às estrelas disse: “amai para entende-las!”, creio que isto bem se aplica a esta cidade que leva o nome de duas santas, a Virgem Maria – enquanto Nossa Senhora do Livramento e sua mãe, vó de Jesus, a Santa Ana. Amai Livramento para entendê-la e puxar uma cadeira na calçada e ficar contente em estar com quem se gosta...

“E eu que não creio, peço a Deus por minha gente” (Vinícius de Moraes)

Um forte abraço a TODOS!

Fernanda

¹Termo - garrafa térmica